Quanto cobrar por uma visita técnica: como calcular o preço sem prejuízo
Aprenda a calcular o preço da visita técnica considerando custo da hora do técnico, deslocamento, veículo, impostos e margem, com um exemplo numérico passo a passo.
"Quanto eu cobro pela visita?" é uma das perguntas mais comuns entre donos de empresas de serviço técnico. E uma das mais respondidas no chute: olha-se o preço do concorrente, arredonda-se para um número redondo e pronto. O problema é que, sem saber o custo real de colocar um técnico na casa ou na empresa do cliente, é muito fácil trabalhar no prejuízo sem perceber.
Neste artigo você vai aprender a montar o preço da visita técnica de forma estruturada, com um exemplo numérico que você pode adaptar à sua realidade.
O que entra no custo de uma visita técnica
Uma visita técnica não é só o tempo do técnico no local. Ela envolve:
- Mão de obra: salário, encargos, benefícios e o tempo improdutivo (deslocamento, espera, preenchimento de documentos).
- Deslocamento: combustível, desgaste do veículo, pedágio, estacionamento ou aplicativo de transporte.
- Veículo: parcela ou depreciação, seguro, IPVA e manutenção.
- Ferramentas e equipamentos: desgaste e reposição.
- Custos fixos da empresa: aluguel, escritório, sistemas, telefone, atendimento e administração.
- Impostos sobre o faturamento.
- Margem de lucro.
Ignorar qualquer um desses itens faz o preço parecer competitivo, mas corrói o caixa no fim do mês.
Passo 1: calcule o custo da hora do técnico
Comece pelo custo mensal total de um técnico, e não apenas pelo salário. Um exemplo ilustrativo:
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Salário | R$ 3.000,00 |
| Encargos e provisões (férias, 13º, FGTS etc.) | R$ 2.100,00 |
| Benefícios (VR, VT, plano de saúde) | R$ 900,00 |
| Celular, uniforme e EPIs | R$ 200,00 |
| Total | R$ 6.200,00 |
Agora, calcule as horas efetivamente faturáveis. Um técnico pode ter 176 horas de jornada no mês, mas parte desse tempo vai para deslocamento, abastecimento, reuniões e retrabalho. Se 60% do tempo for de atendimento efetivo, sobram cerca de 105 horas produtivas.
Custo da hora produtiva: R$ 6.200 ÷ 105 = R$ 59,00 por hora (aproximadamente).
Passo 2: calcule o custo do deslocamento
Para quem usa veículo próprio da empresa, some os custos mensais do carro e divida pelos quilômetros rodados:
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Combustível | R$ 1.400,00 |
| Manutenção e pneus | R$ 350,00 |
| Seguro, IPVA e licenciamento (rateado) | R$ 400,00 |
| Depreciação ou parcela | R$ 900,00 |
| Total | R$ 3.050,00 |
Se o veículo roda 2.500 km por mês: R$ 3.050 ÷ 2.500 = R$ 1,22 por km.
Uma visita com 30 km de ida e volta custa, só de veículo, cerca de R$ 36,60.
Passo 3: rateie os custos fixos
Some os custos fixos mensais que não são de técnico nem de veículo (aluguel, administrativo, sistemas, contabilidade, marketing) e divida pelo número médio de visitas no mês.
Exemplo: custos fixos de R$ 12.000 e 400 visitas por mês = R$ 30,00 por visita.
Passo 4: monte o custo total da visita
Para uma visita de 1h30 no local, com 40 minutos de deslocamento e 30 km rodados:
| Componente | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Mão de obra no local | 1,5 h × R$ 59 | R$ 88,50 |
| Mão de obra no deslocamento | 0,67 h × R$ 59 | R$ 39,50 |
| Veículo | 30 km × R$ 1,22 | R$ 36,60 |
| Custos fixos rateados | — | R$ 30,00 |
| Custo total | R$ 194,60 |
Passo 5: aplique impostos e margem
O preço precisa cobrir o custo, os impostos sobre o faturamento e ainda deixar lucro. Uma forma simples é usar o markup divisor:
Preço = Custo ÷ (1 − impostos − margem desejada)
Com impostos de 8% e margem de 20%:
Preço = R$ 194,60 ÷ (1 − 0,08 − 0,20) = R$ 194,60 ÷ 0,72 = R$ 270,30
Ou seja, cobrar R$ 150 por essa visita, como muita gente faz "porque o mercado cobra isso", significaria pagar para trabalhar.
Modelos de cobrança mais usados
Depois de saber o custo, você pode escolher como apresentar o preço ao cliente:
- Taxa de visita fixa: cobre deslocamento e diagnóstico. O serviço é orçado à parte.
- Taxa de visita abatida do serviço: se o cliente aprovar o orçamento, a visita é descontada. Ajuda a converter.
- Preço por hora: comum em manutenção industrial e predial, com franquia mínima (por exemplo, 2 horas).
- Preço por serviço (tabela): instalação de split, troca de disjuntor, limpeza de placas solares. Exige conhecer bem o tempo médio de cada serviço.
- Por região: taxa diferente conforme a distância ou a zona de atendimento.
- Contrato mensal: um valor fixo cobre preventivas e um número de chamados. Excelente para previsibilidade.
Como usar os dados das OS para ajustar o preço
O cálculo acima depende de premissas: tempo médio no local, tempo de deslocamento, quilômetros rodados. Quando cada Ordem de Serviço registra check-in, checkout e deslocamento, você deixa de estimar e passa a medir:
- Tempo real médio de cada tipo de serviço
- Distância média por região
- Percentual de visitas que viram orçamento aprovado
- Clientes ou regiões que dão prejuízo
Com isso, a tabela de preços pode ser revisada periodicamente com base em fatos.
Erros comuns na precificação
- Copiar o preço do concorrente sem conhecer a própria estrutura de custos.
- Esquecer o tempo de deslocamento como custo de mão de obra.
- Não considerar visitas improdutivas (cliente ausente, falta de acesso, peça errada).
- Dar desconto na visita para fechar o serviço e não recuperar no orçamento.
- Nunca reajustar a tabela, mesmo com aumento de combustível e salários.
Conclusão
O preço justo de uma visita técnica nasce do custo real: hora do técnico, deslocamento, veículo, estrutura, impostos e margem. Faça a conta uma vez com cuidado, revise a cada trimestre e use os dados das suas Ordens de Serviço para refinar as premissas. Assim você cobra com segurança e para de perder dinheiro em atendimentos que parecem lucrativos.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar por uma visita técnica?
Depende dos seus custos. Some mão de obra (incluindo deslocamento), custo do veículo por km, rateio dos custos fixos e aplique impostos e margem pelo markup divisor. Não existe um valor único válido para todas as empresas.
A visita técnica deve ser cobrada mesmo se o cliente não fechar o serviço?
Em geral sim, porque o deslocamento e o diagnóstico têm custo. Muitas empresas cobram a visita e abatem o valor se o orçamento for aprovado.
O que é markup divisor?
É um método de formação de preço em que o custo é dividido por (1 − impostos − margem). Ele garante que, depois de pagar impostos, a margem desejada seja de fato alcançada.
Com que frequência devo revisar o preço da visita?
Uma boa prática é revisar a cada três ou seis meses, ou sempre que houver aumento relevante de combustível, salários ou custos fixos.
Continue lendo
Manutenção preventiva, corretiva e preditiva: diferenças e quando usar cada uma
Entenda as diferenças entre manutenção corretiva, preventiva e preditiva, com exemplos práticos, vantagens, custos e como combinar os três tipos na sua operação.
PMOC: o que é, quem precisa e como montar o Plano de Manutenção, Operação e Controle
Guia prático sobre o PMOC: o que diz a Lei 13.589/2018, quais edificações precisam, o que o plano deve conter, periodicidade das atividades e como comprovar a execução.
O que é Ordem de Serviço (OS): guia completo para empresas de serviço
Entenda o que é uma Ordem de Serviço, para que serve, quais campos ela precisa ter, os tipos de OS e como sair do papel e do WhatsApp para uma OS digital.